Ainda a tradução automática

Esta é a quarta parte da série sobre tradução automática. Os três artigos anteriores foram publicados aqui, aqui e aqui.

Continuando a conversa…

Tem, também, a história da linguagem controlada. Funciona assim: o texto a traduzir é reescrito em uma linguagem que, sem ser errada, é meio pro lado do buquitu. Assim, o computador tira de letra. A tradução também é meio que buquitu, mas dá bem menos trabalho na pós-edição. O resultado final é meio tosco, assim, meio batatinha quando nasce, mas em linguagem correta – e, digamos à verdade, muitas vezes mais clara que aquelas coisas horríveis que a gente tem que traduzir de vez em muitas vezes.

O problema aí é que escrever o original em linguagem controlada costuma exigir o trabalho de um pré-editor, um sujeito capaz de transformar os engrimanços anfiguríticos do empolgado que cometeu o texto inicial, o que não é pouca coisa e exige a atuação de um profissional com treinamento específico.

Depois de passar pelo programa de tradução, ainda tem de passar pelas mãos do pós-editor. Quer dizer, é um processo caro, mas muito bom quando a tradução tem de ser para diversas línguas, porque uma pré-edição serve para todas.

O lado negativo é que fica um texto muito chocho. Claro, correto, mas chocho. Funciona, por exemplo, para um manual técnico, mas não para publicidade ou literatura. Muito bom para o que serve – o que já é bastante.

Há também quem esteja alimentando um programa de tradução com material apropriado: frases, palavras, regras e mais o escambau a quatro para produzir tradução automática. Vi uma demonstração. Honestamente, não convenceu. Somando o custo do levantamento terminológico, preparação das regras de gramática específicas, atualização da memória e, depois, pós-edição, acho que ainda estou melhor servido acoplando o GT com minha própria memória e glossários. Mas eles são eles e eu sou eu. Além disso, o pagamento que estão oferecendo realmente não compensa. Concordo com qualquer esforço de redução de custos que não reduza meu rendimento.

Fico por aqui, hoje. Vou publicar o último artigo desta minissérie só na segunda-feira, para deixar o assunto assentar um pouco. A gente começa a escrever e, ao escrever, pensa e os pensamentos – como os personagens de um romance – adquirem vida própria. Agora, preciso pensar sobre o que disseram meus pensamentos antes de postar as conclusões.

Até segunda.

EN→PTBR |Tradutor profissional desde 1970.


1 Comentario em "Ainda a tradução automática"

  • José Luiz Corrêa da Silva
    14/12/2017 (9:49 am)
    Responder

    Danilo, seus textos são perfeitos e muito pertinentes. Esperei por este para comentar e lhe dar os parabéns pela inicitiva de publicar sobre a Tradução Automática.
    Vá em frente! Aguardamos por novos temas.
    Obrigado. Cordialmente, José Luiz.


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