Más experiências com tradução automática

Esta é a terceira parte da série sobre tradução automática. Os dois artigos anteriores foram publicados aqui e aqui.

… mas nem todos se deram tão bem quanto eu. Um colega recebeu para “proofreading” uma tradução que era puro GT. Da desonestidade de chamar “proofreading”, mesmo quando se está falando português, um serviço que, de proofreading não tem nada, já falei aqui. Para encurtar, proofreading (leitura de provas) é quando não te mandam o original para cotejar. Quando te mandam o original para cotejar, no mínimo é “editing” (revisão). São atividades diferentes, que têm preços diferentes porque tomam tempos diferentes do profissional.

Revisão, em si, é um problema, porque a revisão existe para fazer de uma boa tradução uma tradução excelente, não para transformar um texto ruim num texto bom. Tradução ruim, a gente não revisa, simplesmente joga no lixo. Lamentavelmente, algumas agências (nem de longe todas) contratam incompetentes para traduzir a preço de banana e entregam as coisas horríveis ao revisor, esperando que este último lhes devolva um texto bom. Entendo que as agências queiram reduzir custos, mas, no meu lombo, não, seu João. Quando me mandam uma lixarada para revisar, digo, sem papas na língua, que a vai sair mais barato traduzir de novo do que revisar. Alguém vai aceitar, sei, mas ao menos que não seja eu.

Voltemos ao assunto.

Mas, quando a tradução foi feita por máquina, não é nem “proofreading” nem “editing”, é “post editing”. Post editing (pós-edição), na melhor das situações, toma mais tempo do que “editing” e, portanto, exige remuneração maior. Além disso, é necessário saber se o cliente quer um texto de alta qualidade ou não. Porque, nem sempre a gente precisa de um texto de alta qualidade e não vale a pena gastar tempo (e dinheiro) sem necessidade. O problema é que se você perguntar ao cliente que tipo de texto ele quer, vai receber umas respostas dadas de cima do muro, porque, no fim das contas, muitas vezes ele quer mesmo filé-mignon pelo preço de bofe. Já passei por isso uma vez, não preciso passar de novo.

Alguns clientes, principalmente agências estrangeiras, onde ninguém sabe português, são vítimas de uma vigarice das boas: o encarregado da tradução “passa” o texto no GT e manda para a agência com casca e tudo. A agência manda para o revisor e este, se tiver juízo, explica com clareza que aquilo é tradução automática e que, portanto, não pode ser revista, tem que passar por pós-edição e cota seu preço.

Mas a conversa continua amanhã.

EN→PTBR |Tradutor profissional desde 1970.


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