O concurso da JUCERJA e outros para TPIC

Estou recebendo, além dos comentários que você vê aí abaixo, umas quantas mensagens particulares de amigos que prestaram o concurso e que me mandam informações interessantes, mas pedindo que eu as divulgue mascaradas, de modo a lhes proteger a identidade.
Uma delas vem de uma pessoa que afirma ter prestado o concurso de boa-fé, não ter subornado ninguém, não saber de antemão o que ia cair, tendo recebido a aprovação com base exclusivamente em seu trabalho. Queixa-se de estar sofrendo hostilidade por parte de colegas reprovados. Conhecendo o remetente, acredito que tenha agido de boa-fé no concurso, conhecendo o mundo, sei o que quer dizer com “hostilizado”, porque eu próprio sou alvo de muita hostilidade, às vezes aberta, às vezes encoberta — e olha que não fui aprovado em concurso algum. Pode ser muito irritante ou muito divertido, conforme o estado de ânimo do momento. Mas o colega que me escreveu, que queria comemorar a vitória, ficou frustradíssimo com as alfinetadas recebidas. Não será o único. O hábito do perdedor hostilizar o vencedor é tão velho quanto desprezível.
Longe de mim dizer que o tal do concurso foi bem conduzido: quanto mais sei sobre ele, mais sei que foi uma vergonha. Vou voltar ao assunto várias vezes, até que, de um modo ou de outro, se esgote. Entretanto, a conclusão de que todos os aprovados conseguiram passar por ter agido de maneira criminosa, via subornos, apadrinhamentos ou coisa pior ainda, me parece um erro. Não vamos agora, sem prova alguma, por mera suspeita, acusar de desonesto o colega que antes tínhamos por amigo e honesto. Há que investigar e a grita é forte, o que deve forçar a uma investigação. Talvez, inclusive, incluindo uns casos estranhos havidos em pelo menos mais um concurso para TPIC e mais umas coisinhas. Lamentavelmente, esta foi uma semana corrida demais e não pude agitar as coisas; a semana que vem, espero, será melhor.
De uma coisa, creio, podemos ter certeza: na raiz do problema está um ponto levantado pelo nosso colega José Henrique Lammensdorf, que é TPIC em SP e que não prestou o concurso no RJ. Ele lembra que os TPICs são um peso morto para as Juntas Comerciais. TPIC recolhe ISS ao município, ao passo que as JUCs são estaduais. Em todos os Estados, o interesse da JUC pelo que quer que aconteça com a Tradução Pública é extremamente limitado. Fazem o que não podem evitar fazer.
Mas sobre isso, volto a falar amanhã.

EN→PTBR |Tradutor profissional desde 1970.


12 Comentarios em "O concurso da JUCERJA e outros para TPIC"

  • Danilo Nogueira
    10/11/2009 (7:18 pm)
    Responder

    Ah, Sérgio, aquela coisa, não é? Aquelas acusações meio esquisitas, que podem ser mil coisas, desde uma informação absolutamente honesta e correta, até uma vingança vergonhosa.

    Tenho muito medo dessas situações. Não medo "do que possa me acontecer", mas sim medo de publicar uma acusação inverídica e prejudicar um inocente.

    Obrigado pelo comentário e você fez muito bem em não propagar os dados.

    Vão surgi mil informações aí o tipo "sei que teve gente que não sabia e foi aprovada".

  • Anonymous
    10/11/2009 (7:07 pm)
    Responder

    Ola Danilo, recebi o seguinte email no dia 7, estou postando so para constar, nao conheço o autor que assina, no email ele ate disponibiliza seu numero de telefone para contato, mas achei por bem nao publica-lo

    Olá, Vera e amigos,

    Conheco uma das candidatas que passou pois ja trabalhou na minha empresa, conheco seu nivel de ingles e garanto que essa pessoa nunca apresentou nivel de proficiencia suficiente para passar….especialmente na prova de versao…..Very weird !

    Abs , Sergio Camara (TAKE FIVE)

  • Danilo Nogueira
    10/11/2009 (1:00 am)
    Responder

    Obrigado, Raquel. Fiquei hoje lembrando da história e imaginando você derramando leite quente nos faladores.

  • Anonymous
    10/11/2009 (12:44 am)
    Responder

    Danilo, longe de caquético…

    Sim, o pseudo-embasamento de alguns comentários foi acharem que eu era minha cunhada homônima.

    Mas o que eu considero mais engraçado foi que, poucos anos depois, caminhos profissionais me aproximaram muito de um dos linguarudos do grupo.

    Pela civilidade, declarei prescrição unilateral do crime. A outra parte, entretanto, é forçada a ostentar sua melhor cara de paisagem há quase 20 anos sempre que se esbarra no assunto!

    Raquel Schaitza

  • Anonymous
    09/11/2009 (4:10 pm)
    Responder

    Não quero alimentar a fogueira, mas é interessante notar que a realização do concurso foi um dos itens da plataforma de campanha da atual diretoria da Abrates. No entanto, os membros da diretoria que prestaram o concurso não foram aprovados no exame escrito e daí teve início a enxurrada de protestos. Não estou insinuando nada. Apenas lembrando fatos que possam não ser do conhecimento geral ou possam ter sido esquecidos.

  • Danilo Nogueira
    09/11/2009 (12:19 pm)
    Responder

    Desde quando homonimia é crime? Ou estou tão caquético que confundi as coisas?

  • Anonymous
    09/11/2009 (12:14 pm)
    Responder

    Danilo,
    Você que é um menino muito mau. O crime mais divertido já prescreveu! 🙂

  • Danilo Nogueira
    09/11/2009 (12:08 pm)
    Responder

    Raquel,

    Você é uma menina muito má. Conheço a história e sei que você não contou a parte mais divertida.

    Estava esperando que você aparecesse para contar e que contasse tudo.

  • Anonymous
    09/11/2009 (11:46 am)
    Responder

    Olá,
    Discutir a forma de aplicação e correção da prova é uma coisa. Já dizer que isso foi feito para proteger aprovados é de uma leviandade criminosa. Conheço aprovados e sei que não usaram de subterfúgio algum.
    Eu mesma, na minha "posse" como TPIC há mais de 20 anos tive o desprazer de ouvir ao meu lado uma conversa absurda sobre mim (sim, as pessoas não me conheciam pessoalmente!)citando uma lista de evidências indiscutíveis de que eu tinha sido aprovada por "chuncho".
    Deixei falarem uns 10 min e aí sim tive o prazer de me intrometer na conversa perguntando "vocês conhecem a pessoa de quem estão falando?". Espantados, responderam "Não.". E eu: "Muito prazer, Raquel Schaitza sou eu."
    Até hoje não esqueço as caras lívidas tentando achar um jeito de abrir um buraco no chão e se desmaterializar o mais rápido possível enquanto gaguejavam as mais ridículas desculpas.
    Aí foi minha vez de falar 10min que o que eles tinham dito que era A era B, isso não era aquilo, focinho de porco não era tomada.
    O resumo de tudo isso é que o edital vale e pronto. Cabe recurso? Ajam. Mas não acusem ninguém injustamente.
    Raquel Schaitza

  • Anonymous
    09/11/2009 (9:52 am)
    Responder

    Danilo, foi muito bom você levantar esse lado da questão. Fui aprovado no concurso para inglês, não participei de esquema algum, não subornei ninguém, não tenho padrinho. Estudei muito, tudo o que constava do edital, sou profissional sério, há muitos anos no mercado, e estou muito triste com o que está acontecendo. Também conheço um dos aprovados, igualmente profissional sério. É preciso manter a cabeça fria e conhecer bem o edital e a forma da correção. Minha prova tinha soluções diferentes das do gabarito, porém corretas, por isso acho leviano presumir que tudo que estava diferente do gabarito foi considerado errado: não foi. Toda prova que não é objetiva dá margem a esses comentários. É preciso lembrar também que erros de ortografia (pelas novas regras) e de vocabulário significavam uma dedução de 0,5 ponto. Ou seja, 3 de cada e sua nota já seria 7. Mais um outro erro qualquer valendo 0,25 e a pessoa seria reprovada. (Todos os tipos de erro estão detalhados no edital.) A meu ver, o problema foi a FGV indicar aqueles textos como gabarito e não modelo. Qualquer um tem o direito de pedir revisão de prova, lembrando que essas eram as regras. Não vale agora reclamar que não podia usar dicionário, que a prova de versão não era texto técnico – como fez inclusive a Abrates. Isso constava do edital e deveria ter sido levantado antes e não depois das provas e dos resultados, é claro.

  • Anonymous
    08/11/2009 (11:51 pm)
    Responder

    Concordo com a Ana. Não sei se essas pessoas estão sendo hostilizadas de fato ou se sentindo hostilizadas pela insatisfação da grande massa de tradutores de inglês.

    Contudo, é importante saber para que idioma essa pessoa se candidatou. O bafafá maior ocorreu com inglês e espanhol. Havia erros óbvios no gabarito de tradução da prova em inglês. E o que se questiona predominantemente é o uso do gabarito como ferramenta de correção para dar conta de 956 provas por apenas 3 pessoas. Ou seja, ganhar tempo.

    Para o inglês 3 pessoas corrigiram as 956 provas! Não se sabe quantas corrigiram as provas de alemão ou de neerlandês (convenhamos que não muitos candidatos devem ter feito essa prova). Assim, quem sabe a proporção muitíssimo menor entre candidatos e examinadores dos outros idiomas tenha dado ensejo a correções mais individualizadas e portanto mais diferentes dos gabaritos.

    Parece que esse fator não foi avaliado pelas pessoas que passaram, que com certeza mereceram passar.

  • Ana Resende
    08/11/2009 (9:25 pm)
    Responder

    Acho um absurdo os aprovados serem hostilizados e acabarem levando a culpa pela reprovação dos demais colegas. Conheço três dentre os aprovados: uma tradutora de francês, uma de inglês e um de neerlandês, que, tenho certeza, não participaram de esquema algum. Não teriam porquê. São suficientemente capazes – já provaram isso ao longo de anos e décadas!!!
    Aliás, confesso, estranho até a nota baixa que receberam nas provas. Acho que também foram prejudicados pela correção, embora tenham sido aprovados.
    O que tem que ser questionado é o método utilizado para a correção, baseado num gabarito que parece ter sido feito às pressas, dado o grande número de erros que contém e não a capacidade dos aprovados.


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