Sucesso com tradução automática

Esta é a segunda parte da série sobre tradução automática. A primeira, está aqui.

Vou avisando que não sou especialista em tradução automática e que minha experiência na área é lamentavelmente  restrita – embora já muito satisfatória. Talvez seja uma questão de filosofia: enquanto muitos colegas têm espírito ludita (daqueles operários ingleses que destruíam máquinas para evitar o desemprego), eu, desde sempre, procuro ver como usar as inovações tecnológicas a meu favor. Acho isso muito bom, porque assim não fico no lado perdedor da história, como a turma do “jamais”, que descrevi ontem. Porque a tecnologia avança e contra o avanço tecnológico, não há resistência possível.

Como me faltam dados para uma análise orgânica e profunda, vou me resumir a discutir algumas histórias, começando por uma minha própria.

Estou usando o Google Translate (GT) acoplado com um programa de tradução assistida por computador. Acabo de traduzir um livro de quase 200.000 palavras, sobre história recente, usando meu velho WordFast Classic (WFC) junto com o GT. Uma amostra desse tamanho, penso eu, embora analisada empiricamente, é bem mais válida do que uma amostra de dez palavras escolhidas a dedo para provar que o GT é inútil.

Primeiro, o WFC procurava na memória, a ver se havia alguma coisa. Se não encontrasse nada de bom, pedia a opinião do GT. As respostas do GT variavam de perfeitas até quase inúteis. Digo perfeitas, porque não havia nada que eu quisesse mudar nelas; digo “quase inúteis”, porque raramente a tradução de um segmento deixava de trazer alguma sugestão útil. Sabe, aquelas coisas do tipo “Danilo, sua besta, como é que em quase meio século de tradução você não pensou nisso?”

Não descobri ainda o que tem efeito positivo ou negativo na eficiência do GT. Me surpreende tanto pelos acertos como pelos erros. Mas acho que (quase) tudo é lucro. Na pior das hipóteses, dava Ctl Alt X e traduzia à moda antiga (quer dizer, digitando a tradução no espaço apropriado – não com caneta Bic em papel almaço, nem com pena de ganso).

Esse processo me poupou muito tempo e, além do tempo, estes velhos dedos cansados de quase meio século de digitação. Por fim, me deu algumas excelentes ideias.

Claro, se eu estivesse a fim de simplesmente encontrar um par de traduções ridículas para exibir aos colegas, não me faltariam exemplos.

O passo seguinte foi usar DejaVu, que tem uma abordagem um pouco diferente. Em seguida, o Studio. Confesso que estou me divertindo muito.

Amanhã, volto ao assunto, que esta conversa vai longe.

EN→PTBR |Tradutor profissional desde 1970.


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