Tradução automática – final

Este é o último artigo da minissérie sobre tradução automática. As partes anteriores foram publicadas aqui, aquiaqui e aqui. Confesso que estou ao mesmo tempo satisfeito e arrependido por ter metido a mão nesta cumbuca. Arrependido porque, além de descrever minha própria experiência pessoal, tenho muito pouco a dizer sobre o assunto. Satisfeito porque, em tendo dito só o pouco que sei, acho que toquei em alguns pontos da realidade que parece não ter ainda sido entendidos por meus colegas.

Minhas notas finais:

  1. Uma boa parte dos exemplos de tradução automática absurdos que a gente vê por aí é, na realidade, obra de gente que se meteu a traduzir com a cara e a coragem.
  2. Tradução automática “a seco”, “com casca e tudo” ou seja sem pré- nem pós-edição, pode, no máximo, ajudar a entender do que o texto trata. Usar um texto desses é um risco altíssimo. Pelo menos, por enquanto. Amanhã, a gente não sabe.
  3. Tradução automática produz resultados melhores quando o texto de entrada está em “linguagem controlada”, uma linguagem que, embora de acordo com a norma culta, não faz uso de recursos com os quais o programa de tradução automática teria dificuldade de lidar. Esses textos costumam passar por um processo de pré-edição. Pré-edição não dispensa pós-edição. Por isso, o sistema tem amplo uso quando o mesmo texto vai ser traduzido para diversas línguas, porque, assim, o custo da pós edição fica diluído entre as diversas línguas. O resultado, depois da pós-edição, é um texto claro, correto e desenxabido. Quer dizer, na melhor das hipóteses, não serve para tudo.
  4. Minha experiência acoplando o GT com o Wordfast Classic foi muito positiva. Não só aumentou minha velocidade como também produziu um texto de melhor qualidade, elogiado tanto pelo cliente como pelo revisor, os quais desconheciam meus métodos de trabalho ­– se soubessem deles, era capaz de ficarem procurando pelo em ovo. Exige cuidado e capricho, porque a tendência para aceitar traduções simplesmente passáveis, ou até erradas, é grande, especialmente quando tia Deddy está bafando no cangote da gente. Com o tempo, mais e mais profissionais vão trabalhar assim.
  5. A tradução automática veio para ficar e não vai embora só porque tem uma turma que diz que “jamais vai usar”. Não vai acabar com nossa profissão, mas vai introduzir profundas mudanças em nosso modo de trabalho.

EN→PTBR |Tradutor profissional desde 1970.


Sem comentarios em "Tradução automática - final"


    O que achou do artigo? Deixe seu comentário.

    Pode publicar em html também