Tudo por causa de um cigarro

Estou contando uns causos por aqui porque a Kelli e eu estamos metidos numa sinuca de bico e sem tempo para matutar e parafusar coisas mais sérias. A sinuca deve terminar agora no domingo. Na segunda, se eu não estiver no hospital me recompondo, volto à ativa. Depois eu conto como foi.

Mas ontem, para esclarecer um ponto que discutíamos e para desanuviar o ambiente, contei este para ela e achamos que valia contar aqui.

A Alfa S.A., subsidiária brasileira da Alfa Inc., grande empresa americana, contratou seguros com uma seguradora também americana, que mandou um inspetor fazer uma vistoria nas instalações.

O inspetor não gostou de ver o pessoal fumando junto das placas que diziam “é proibido fumar” e botou lá no seu relatório: Enforce the smoking prohibition.

Agora, vem lá um pedacinho da história que eu não conheço bem. Ou mandaram alguém traduzir para o gerente de segurança, ou ele mesmo pegou o texto em inglês e respondeu. O que eu sei, é que a resposta dele, em português, veio parar na minha mão, para traduzir ao inglês. Na resposta, ele dizia “Reforçar a proibição de fumar — já providenciamos a instalação de mais avisos proibindo o fumo nos lugares indicados”.

O problema é que não era isso o que o inspetor queria. O que o inspetor queria é que a proibição fosse “enforced”, quer dizer, que fosse obrigado o seu cumprimento, ou seja, alguém abordasse o fumante e mandasse apagar o cigarro, sob pena de alguma sanção disciplinar, porque “enforce” é fazer cumprir, não “reforçar”.

Tempos depois, a Alfa Inc. decidiu que a Alfa S.A. deveria se desfazer da fábrica e o assunto morreu, provavelmente porque a nova proprietária contratou seguros em outro lugar. De qualquer maneira, eu não trabalhei para o novo proprietário (não “possuidor”, por favor). Mas eu sempre me pergunto que fim teria a história, se não fosse a venda. O que aconteceria se pegasse fogo na fábrica, por causa de um cigarro?

EN→PTBR |Tradutor profissional desde 1970.


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