Um pequeno desabafo

Todos sabem, até mesmo quem não admite, que uma das pessoas mais generosas no que se refere a conhecimento é o Danilo. Ele distribui dicas, conselhos e até aulas aos montes. Uma das provas disso é a existência deste blog. Da minha parte, não tenho a bagagem que ele tem e, muitas vezes, nem a paciência. Mas procuro ajudar quem me procura com perguntas pertinentes, com dúvidas que me pareçam minimamente razoáveis. Não me nego a ajudar quem está batalhando, e mais de uma vez passei algumas horas escrevendo e-mails loooongos. Não tenho muito a fazer, até porque eu mesma estou batalhando o meu caminho, mas acho que um vai incentivando o outro, o outro incentiva o um e todo mundo avança junto.

Mas, olha, tem dia que cansa, porque tem gente que abusa. Gente com emprego, que diz que ganha pouco, e que acha que é nossa (minha e do Danilo) obrigação entrar em contato com o fulano para saber que raio de ajuda ele quer. Bem, não é. Na verdade, é folga demais, se for pensar que eu nem tenho um fluxo de serviço que se possa chamar de constante, ainda. E, mesmo trabalhando com o Danilo em trocentas coisas, me recuso a achar que é ele quem tem que encontrar cliente para mim e garantir meu sustento.

Gente que mora na Inglaterra (eu nunca consegui sair do país, ainda!) e que, em vez de fazer uma busca simples no google, vem perguntar para nós o curso que deve fazer para aprimorar o inglês e o português (e sim, precisa estudar muito, pelo que escreveu). Eu não sei. Mas, quando eu quero fazer um curso, a primeira coisa que eu faço é buscar as possibilidades. Sempre que tenho uma dúvida, seja qual for, eu pesquiso antes de incomodar alguém com as minhas perguntas. E só faço isso com dúvidas mais concretas, como “sei que tem o curso tal e o curso tal; meu objetivo é x, qual você aconselha?”. Já na sétima série uma professora me ensinou que não há vento favorável para quem não sabe onde vai.

É tão, mas tão boa a sensação de ajudar gente que não tem preguiça de ir atrás. Gente assim é bom de acompanhar, ver o progresso que faz, porque cada batalha vencida é motivo de orgulho. Por outro lado, é tão frustrante ter gente que acha que nós temos uma bolinha de cristal e que uma palavra nossa resolve suas vidas… Nós demoramos para responder algumas coisas, nem sempre dá tempo de ser muito rápido. Mas, se a sua pergunta nunca foi respondida, nem no blog e nem em particular, então reflita: será que fez a pergunta certa?

EN→PTBR |Tradutor profissional desde 1970.


8 Comentarios em "Um pequeno desabafo"

  • Ana Iaria
    29/04/2010 (6:43 am)
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    Kelli,

    Daço minhas suas palavras. Pra mim se chama folga, e parece que o número de folgados aumentou com o advento da Internet – ou será que por causa deles passamos a perceber isso?

    Vemos isto todos os dias nas listas e no orkut: gente despreparada aceita qualquer trabalho e acha que NÓS temos a obrigação de responder ou ajudar. Vem com aqueles? Up… Ninguém? Ora, mexa-se e vá pesquisar.

    Deu adotei tolerância zero: simplesmente ignoro e não respondo. E sempre digo isso. Infelizmente, tem os que morrem de pena do coitadinho. Eu odeio coitadinhos e gente que se faz de pobre e coitado pra conseguir o que quer.

    E ando adorando ser vilã. Umas semanas atrás, uma colega aceitou um trabalho para o qual claramente não tinha conhecimento (Danilo sabe quem é, é de uma outra lista). Não contente em importunar a lista, me mandava imeios diários com as dúvidas de jurídico. Respondi o primeiro, que veio com um termo só. O segundo tinha 3, o terceiro… Ignorados, claro. Não contente, um dia me liga `as 9h05. Acabara o trabalho e restara uma listinha de dúvidas jurídicas. Desculpei-me e disse que não podia responder, pois estava correndo pra terminar um trabalho antes do almoço. Ah, então ligo amanhã (sábado). Não, vou viajar hoje “ tarde, e juro que era verdade. Se ela achou que eu menti, problema dela.

    E adotei esta postura com gente folgada que não tem nem 1 dicionário jurídico básico pra consultar (que é o caso dela).

  • Julieta Sueldo Boedo
    28/04/2010 (10:05 am)
    Responder

    Falou tudo Kelli! E muito bem, por sinal. É realmente difícil conviver com pessoas que nem sequer fazem a sua parte e querem tudo pronto na palma da mão, e ainda tem a coragem de exigir respostas, sem nem perceber que são eles que devem dar o primeiro passo para achar uma resposta.
    Parabéns a você e ao Danilo, que tanto tem nos dado com seus posts no blog. ¡Mil gracias y besos a los dos!

  • Marcia
    28/04/2010 (9:42 am)
    Responder

    Resumindo a “Sindrome da Disponilidade Alheia: ao inves de arregaçar a manga e ir atrás fica transferindo a responsabilidade para os outros e ainda os culpa pelo seu fracasso…..
    Sentado no sofá esperando que as coisas aconteça só resulta numa coisa: acumulo de poeira….

  • Mairo Vergara
    28/04/2010 (9:03 am)
    Responder

    @Raquel

    “Síndrome da Disponibilidade Alheia” é o mal dos últimos anos! Não é só o celular, mas o telefone fixo também! Tem dias que dá vontade e colocar no mudo aqui em casa, hehe.

  • Raquel Schaitza
    27/04/2010 (4:42 pm)
    Responder

    Kelli, muito bem desabafado. Para mim, isso é parte da moderna “Síndrome da Disponibilidade Alheia”. Comecei a me irritar profundamente com celular no momento em que a atitude de quem liga passou a ser “como assim eu ligo e você não atende?”. Como se fosse minha obrigação estar disponível 24h por dia. Ligar para o celular de alguém e ser atendido parece ser um sinal de poder atualmente. Um grupo marca uma reunião em um bat-horário e local. Todos comparecem e aí começam a atender celular a meia-voz (ou não) nos cantinhos. Mas, afinal, a prioridade naquela hora não era a reunião previamente marcada? Ou todos os demais assuntos do mundo têm direito de interromper a tal reunião?

    O mesmo conceito transferiu-se para o e-mail. Para mim, é o meio de comunicação mais civilizado porque permite que o outro leia e responda quando melhor lhe convier. Mas agora há gente supondo que toda hora é hora, para qualquer assunto. E se a resposta demora 30min, já pipoca um e-mail pouco educado de cobrança na caixa postal.

    Resumindo: atitudes de gente que pensa que veio ao mundo para ser servido! 🙂

    Raquel Schaitza

  • Luis
    27/04/2010 (3:28 pm)
    Responder

    Desculpe si meu português não é bom. Decidi aprender porque gostava da musica brasileira e achava muito sensual e romântico. Muito diferente do português lusitano, mais difícil de compreender mesmo si para mim, espanhol, é mais perto.
    Gostava mas nunca estudei, agora com a internet temos muitas portas abertas. Infelizmente a educação tem que melhorar no Brasil, muita gente escreve comentarios, blogs, e muitas outras coisas mas é dificil encontrar um site como o seu onde eu vou ler coisas bem escritas, sem erros, e sempre aprendo alguma coisa nova.
    Obrigado por o tempo que dedicam para que outros, como eu, aprendamos.

    • Kelli
      27/04/2010 (3:56 pm)
      Responder

      Oi, Luis!

      Obrigada pelo comentário. E, não se engane, seu português é melhor que o de muito brasileiro, e nós aqui também erramos (e quanto!). Mas fico contente que aprenda alguma coisa por aqui. Um beijo e volte sempre!

  • Marcelo Neves
    27/04/2010 (2:25 pm)
    Responder

    Uso muito essa frase da sua professora (aliás, sempre sem dar créditos, porque, apesar de já ter pesquisado, não consegui descobrir se é atribuída a um determinado autor ou a todos os que a internet aponta, desde Platão até Jabor). Com pouco mais de dez anos de profissão, sempre me considero experiente demais para ser considerado iniciante e “verde” demais para ser considerado um veterano. Já estive em dezenas de países e não conheço quase nada se comparar com outros colegas e amigos. Tenho centenas de horas de cabine e ainda tenho muito a aprender como intérprete. Sem esforço, sem entusiasmo e sem uma dose (que também não precisa ser exagerada) de humildade, não chegamos a lugar nenhum, não é? 😉


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